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Eclipses

Um jogo de luz e sombra

Por Patrícia Valente

A palavra eclipse tem sua origem etimológica no grego, ékleipsis, e significa esconder, apagar, interceptar a luz vinda de um astro.

Os eclipses são eventos astronômicos envolvendo o Sol, a Lua e a Terra.

Eclipses solares ocorrem quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol no mesmo plano orbital, ocultando a luz solar para quem está observando da Terra. Como a órbita da Lua é inclinada em relação à Eclíptica, esse evento não ocorre todos os meses.

Todo eclipse solar é também uma Lua Nova, isto é, uma conjunção de Sol e Lua. Porém, nem toda Lua Nova é um eclipse solar. Essa singularidade tem a ver exatamente com a diferença de inclinação entre os planos orbitais lunar e solar.

Existem também os eclipses lunares, que ocorrem quando a Terra fica entre o Sol e a Lua. Lembrando que todo eclipse lunar é uma Lua Cheia, ou seja, uma oposição entre Sol e Lua. Já o inverso não necessariamente o será, pela mesma razão acima mencionada quanto aos planos orbitais da Lua e do Sol.

A cada ano ocorrem, em média, dois eclipses solares (Anular, Parcial ou Total) e dois lunares (Penumbral, Parcial ou Total). Em termos astrológicos, os eclipses solares têm mais peso, pois estamos falando de uma conjunção entre os luminares, como já vimos. Um eclipse solar significa ausência de luz por um determinado tempo e deve ser estudado de acordo com as conjunções que fizer com planetas ou cúspides de casas no mapa astrológico em estudo. Os efeitos dos eclipses, para efeito de interpretação astrológica, duram seis meses.

Desde tempos remotos, os eclipses, especialmente os solares, eram vistos como sinal de mau agouro, de infortúnio. Numa época em que não existia iluminação artificial, os ritmos humanos eram regulados pelos astros, sua luz e seus respectivos ciclos. Quando o homem primitivo via a luz solar apagar-se em pleno dia era motivo de assombro, medo, insegurança e vulnerabilidade. Por isso, várias culturas faziam cerimônias muito ruidosas durante os eclipses solares para espantar o “monstro que engolia” o Sol, considerado como fonte máxima de calor, princípio gerador e mantenedor da vida. Na Índia e na China esses rituais são realizados até nossos dias.

O estudo dos eclipses tem especial significado em Astrologia Mundial. Algumas idéias de eclipses solares ocorrendo nos diferentes elementos astrológicos em nível mundial são mencionadas a seguir:

. nos signos de Fogo (Áries, Leão e Sagitário): calor excessivo, disputas religiosas, problemas com figuras de poder.

. nos signos de Terra (Touro, Virgem e Capricórnio): recessões, problemas financeiros, secas.

. nos signos de Ar (Gêmeos, Libra e Aquário): mudanças sociais, ventos fortes, revoltas, mudanças em acordos e alianças.

. nos signos de Água (Câncer, Escorpião e Peixes): marés mais altas, problemas com drogas, excesso de chuvas, acidentes marítimos.

No Mapa Astrológico individual também interpretamos essa ausência momentânea de luz quando o eclipse solar fizer conjunção com algum planeta ou cúspide de casa do indivíduo. Caso não ocorram nenhuma dessas situações o eclipse não terá tanto impacto na vida da pessoa.

Ocorrendo uma das duas situações mencionadas, num primeiro momento essa falta de luz pode causar um certo medo ou desorientação. Afinal é como se ocorresse um súbito “apagão” em algum setor (casa astrológica) ou função (planeta) da vida da pessoa. Porém, passado o susto inicial, a proposta desse tipo de eclipse num mapa individual é uma oportunidade de olhar atentamente aquela área da vida ou energia que precisa necessariamente de uma reconfiguração.

Para pessoas que evitam entrar em contato consigo mesmas e dificilmente buscam maneiras de crescer como indivíduos, um eclipse solar pode ser bastante impactante em suas vidas. Por outro lado, para aquelas que procuram aprender, evoluir e conquistar autoconsciência, o eclipse solar pode ser bastante proveitoso para uma profunda reflexão.

Na Astronomia, para que possamos observar as estrelas, o mais indicado é fazê-lo durante a Lua Nova, momento em que os dois luminares – Sol e Lua – não estão visíveis no céu. Complementarmente, para se estudar o Sol e suas explosões, os eclipses solares são extremamente úteis. Comparativamente, o mesmo podemos fazer quando somos afetados por um eclipse solar em nossos Mapas Natais.

Na mitologia grega podemos nos inspirar na história do adivinho Tirésias que, ao perder a visão por castigo de Palas Atena, deusa da sabedoria, recebeu dela também três dádivas: o dom da profecia, um bastão que transformava tudo que tocava em imagem numa tela mental e o dom de compreender todas as línguas, inclusive a dos pássaros.

Proponho que, ao estudarmos os efeitos dos eclipses solares em um Mapa Astrológico, tenhamos em mente que luz e sombra são complementares, não se excluem e existem um em função do outro. A ausência de luz exterior nos convida a olharmos atentamente a sombra interior.

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