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Zodíaco e Mito

Ecos da alma
Por Patrícia Valente

A proposta deste texto é mostrar a conexão existente entre duas ricas áreas do conhecimento humano: a Astrologia e a Mitologia. Apesar de serem distintas e independentes, há entre elas um ponto comum, sobre o qual discorrerei a seguir, que facilita e amplia a compreensão de cada uma. Antes de falar desse denominador comum, são necessárias algumas explicações.

O zodíaco e sua simbologia são um dos principais pilares da Astrologia e sua origem nos remete às civilizações da Suméria e Babilônia, na Mesopotâmia, entre outras. Ele é dividido em doze partes iguais chamadas signos – Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes – e também conhecido como Via Solis, já que serve de pano de fundo para a trajetória aparente do Sol.

Existem outros pilares da Astrologia além do Simbolismo, como a História, a Astronomia, a Matemática, entre outros, que não são objeto deste texto, apesar de extremamente importantes. E, portanto, deverão ser devida e cuidadosamente analisados futuramente.

Os signos zodiacais carregam seus próprios símbolos e significados. Expressam forças ativas ou passivas; estruturadoras, adaptáveis ou transformadoras; concretas, abstratas, conservadoras ou motivadoras; dinâmicas diferentes, porém complementares. Estão associados às estações do ano e, analogamente, às diferentes fases da vida. Contêm valor cognitivo, como todo símbolo, e pertencem ao período pré-logos da humanidade, ou seja, antecedem à lógica.

O mito, por sua vez, fornece modelos para o comportamento humano, trazendo valor e significado à existência. Podemos retomar o contato com o sagrado narrando ou ouvindo um mito. Refere-se a uma criação, fala de um acontecimento ocorrido num tempo primordial.

Conhecer os mitos é acessar a origem das coisas. Conhecer e viver os mitos, de acordo com Mircea Eliade, grande estudioso do assunto, nos faz sair do tempo profano, cronológico, cotidiano – tempo Cronos – e nos leva para a dimensão do tempo sagrado – tempo Kairós. O tempo mítico ou sagrado tem uma qualidade diferente do tempo profano. Ajuda o homem a compreender seu tempo presente (sincronia), através do tempo passado (diacronia), para construir o futuro. Os contos de fadas têm papel semelhante na vida das crianças.

O elo de ligação entre a Astrologia/Zodíaco e a Mitologia/Mito é o Símbolo.

O símbolo faz parte da substância humana, antecede a linguagem e a razão discursiva. A linguagem organiza o símbolo, mas também pode reduzi-lo e limitá-lo. O símbolo toca em pontos internos dos seres humanos, que os levam a níveis profundos e amplos de si mesmos. Pela simbologia acessamos o que não conseguimos nomear. Compreender os símbolos significa compreender algo mais de nós mesmos.

A força do símbolo é tanta que a indústria da comunicação o utiliza como recurso há muito tempo. Pois, o símbolo atua independentemente do logos, da razão.

Mito e Zodíaco têm em comum a riqueza do simbolismo. Metaforicamente, os mitos falam da aurora do homem e o zodíaco do alvorecer do indivíduo.

O humano não tem estrutura para ver a divindade em sua plenitude, em todo seu esplendor. O símbolo aproxima o divino do humano, acessa a alma e revela o ser.

“Se você quiser matar um povo, destrua seus símbolos”, já disse alguém com muita sabedoria, resumindo a importância fundamental do símbolo.

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“Ulisses”

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Fernando Pessoa – Mensagem

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